A MENINA EM MIM
Verdes anos.
Por que verdes? Por que não dourados
como se diz?
Verdes como frutas ainda não prontas.
Verdes como a esperança nos olhos de uma
menina que se encantava com o mundo, com as possibilidades.
Uma menina que bastava ter um minuto
livre e já se punha a sonhar.
E os sonhos? Tão loucos!
Uma pequena poetisa da terra. Tão
pequena e de alma tão grande!
Mas, ó Deus, a menina cresceu tão só.
Sem poder dividir seu sonhar, sem poder dividir com alguém suas dúvidas, seu
saber, seu querer.
Era entre árvores, cabras e castelos de
sabugos de milho que a pequena sonhava,
e seus sonhos a transportavam para lugares extraordinários.
Refletir sobre o mundo, sobre Deus e os
homens aos seis ou sete anos não é uma coisa muito comum. Ainda mais quando se
leva em conta o ambiente em que ela cresceu.
Hoje, busco em mim a menina poetisa e me
deslumbro com as respostas que ela me dá. Ela ainda vive em mim, como vive! E
como sonha!
Um sonhar de loucos e poucos.
Mas que importa?!
Não me estranho, sempre fui assim ─ diferente.
Quando vivendo entre pessoas racionais e
dinâmicas precisei saber driblar a minha alma sonhadora, precisei sempre saber
jogar dos dois lados. Mantive os pés ao chão e permiti que a minha cabeça
flutuasse com meus devaneios, com meus milhares de seres especiais.
Sou a própria borboleta alegre e a
crisálida triste. Sou a bailarina que mantém ao chão as pontas dos pés, as
pontas.
Estou sempre pronta a flutuar.
É assim que sou, que sempre fui; um
tanto alheia ao mundo e um tanto tão arraigada a ele.
Não me importo com tantos valores falsos
e valorizo tanto o ser, o âmago do ser. Não ligo a mínima à fama, ao luxo, ao
poder.
Só desejo estar em paz comigo mesma, com
o mundo. Com a menina que insiste em viver em mim.
sonia delsin

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