sábado, 24 de agosto de 2013



A MENINA EM MIM

Verdes anos.
Por que verdes? Por que não dourados como se diz?
Verdes como frutas ainda não prontas.
Verdes como a esperança nos olhos de uma menina que se encantava com o mundo, com as possibilidades.
Uma menina que bastava ter um minuto livre e já se punha a sonhar.
E os sonhos? Tão loucos!
Uma pequena poetisa da terra. Tão pequena e de alma tão grande!
Mas, ó Deus, a menina cresceu tão só. Sem poder dividir seu sonhar, sem poder dividir com alguém suas dúvidas, seu saber, seu querer.
Era entre árvores, cabras e castelos de sabugos de milho que a pequena  sonhava, e seus sonhos a transportavam para lugares extraordinários.
Refletir sobre o mundo, sobre Deus e os homens aos seis ou sete anos não é uma coisa muito comum. Ainda mais quando se leva em conta o ambiente em que ela cresceu.
Hoje, busco em mim a menina poetisa e me deslumbro com as respostas que ela me dá. Ela ainda vive em mim, como vive! E como sonha!
Um sonhar de loucos e poucos.
Mas que importa?!
Não me estranho, sempre fui assim   diferente.
Quando vivendo entre pessoas racionais e dinâmicas precisei saber driblar a minha alma sonhadora, precisei sempre saber jogar dos dois lados. Mantive os pés ao chão e permiti que a minha cabeça flutuasse com meus devaneios, com meus milhares de seres especiais.
Sou a própria borboleta alegre e a crisálida triste. Sou a bailarina que mantém ao chão as pontas dos pés, as pontas.
Estou sempre pronta a flutuar.
É assim que sou, que sempre fui; um tanto alheia ao mundo e um tanto tão arraigada a ele.
Não me importo com tantos valores falsos e valorizo tanto o ser, o âmago do ser. Não ligo a mínima à fama, ao luxo, ao poder.
Só desejo estar em paz comigo mesma, com o mundo. Com a menina que insiste em viver em mim.

sonia delsin 

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