LEMBRANÇAS...
Pai,
hoje eu acordei pensando ainda mais em você. Você sabe como o tempo aqui é contado para
nós. Como é tudo aí? Existe tempo também?
Veio à minha mente, logo que acordei, conversas que nós tivemos há tanto tempo.
Sua voz, ainda a ouço nas lembranças.
Sua sapiência me faz falta. Como eu precisava ouvir seus conselhos ainda.
Sabe, eu estou recordando a nossa terra! Tantos fatos se passaram lá.
Você e minha mãe foram uns heróis. Tanto sofrimento! Recordei um fato que se passou quando eu tinha uns quatro anos. Veio à minha memória todinho, como se o tempo tivesse parado nele.
Estávamos a Ju, eu e o bebê sob aquela jabuticabeira. O meu irmãozinho estava dentro de uma grande bacia, envoltoem panos. A mãe deixara-nos cuidando um pouco do
bebê enquanto apanhava limões.
A Ju e eu éramos primas tão unidas. Tínhamos a mesma idade. Diferença de dezoito dias apenas.
O bebê começou a choramingar e o olhamos. Foi aí que vimos a cobra se aproximando, aproximando.
Éramos duas garotinhas de quatro anos e cada qual pegou um lado da bacia e foi arrastando-a, arrastando-a para longe da cobra. Gritamos, como gritamos pela minha mãe naquela hora!
Ela chegou e com um pedaço de pau matou a cobra. O bebê sorria inocentemente. Meu irmãozinho querido dentro da bacia sorria. Como ele era lindo!
Por que será que relembrei este fato? Não sei mesmo!
Mas o que eu queria mesmo lhe dizer é que eu não o esqueço. Sei que você vive agora num outro plano. E nós ainda estamos aqui, a vida continua.
Sinto saudades de nossos papos sob as murtas. Algumas coisas mudaram por lá. Você deve saber...
Pai, esta carta é só um desabafo. É a maneira que encontro para lhe falar.
Quando nós nos falávamos eu nunca me abria muito, você entendia-me sem palavras. Conhecia minha alma, creio eu.
Nunca dizíamos que existia amor. Mas amar é mais demonstrar que dizer.
Lembrei outro fato agora. Foi tão doloroso quando vi a minha seringueira cortada. Que juízo eu tinha, plantar uma seringueira do lado do muro! Eu sei que para você também doeu cortá-la.
As lembranças doem e acalantam... (gosto das recordações) minha infância... Tudo que vivemos. Nós reunidos em volta da mesa na hora das refeições.
Com o tempo você não queria mais se sentar no seu lugar, na cabeceira da mesa, e nós insistíamos para que continuasse a desfrutá-lo.
Meu primeiro filho, seu primeiro neto! Quanto amor você demonstrou! Você ficava com uma cara de bobo quando o pegava ao colo! Você o embalou tão carinhosamente. Mais de vinte anos se passaram e eu não esqueço a sua expressão ao olhá-lo.
Eu não me despeço nesta carta, porque você vive comigo, nas lembranças. Parece estar ao meu lado, agora mais que nunca.
Meu querido, um dia nos reencontraremos?
Veio à minha mente, logo que acordei, conversas que nós tivemos há tanto tempo.
Sua voz, ainda a ouço nas lembranças.
Sua sapiência me faz falta. Como eu precisava ouvir seus conselhos ainda.
Sabe, eu estou recordando a nossa terra! Tantos fatos se passaram lá.
Você e minha mãe foram uns heróis. Tanto sofrimento! Recordei um fato que se passou quando eu tinha uns quatro anos. Veio à minha memória todinho, como se o tempo tivesse parado nele.
Estávamos a Ju, eu e o bebê sob aquela jabuticabeira. O meu irmãozinho estava dentro de uma grande bacia, envolto
A Ju e eu éramos primas tão unidas. Tínhamos a mesma idade. Diferença de dezoito dias apenas.
O bebê começou a choramingar e o olhamos. Foi aí que vimos a cobra se aproximando, aproximando.
Éramos duas garotinhas de quatro anos e cada qual pegou um lado da bacia e foi arrastando-a, arrastando-a para longe da cobra. Gritamos, como gritamos pela minha mãe naquela hora!
Ela chegou e com um pedaço de pau matou a cobra. O bebê sorria inocentemente. Meu irmãozinho querido dentro da bacia sorria. Como ele era lindo!
Por que será que relembrei este fato? Não sei mesmo!
Mas o que eu queria mesmo lhe dizer é que eu não o esqueço. Sei que você vive agora num outro plano. E nós ainda estamos aqui, a vida continua.
Sinto saudades de nossos papos sob as murtas. Algumas coisas mudaram por lá. Você deve saber...
Pai, esta carta é só um desabafo. É a maneira que encontro para lhe falar.
Quando nós nos falávamos eu nunca me abria muito, você entendia-me sem palavras. Conhecia minha alma, creio eu.
Nunca dizíamos que existia amor. Mas amar é mais demonstrar que dizer.
Lembrei outro fato agora. Foi tão doloroso quando vi a minha seringueira cortada. Que juízo eu tinha, plantar uma seringueira do lado do muro! Eu sei que para você também doeu cortá-la.
As lembranças doem e acalantam... (gosto das recordações) minha infância... Tudo que vivemos. Nós reunidos em volta da mesa na hora das refeições.
Com o tempo você não queria mais se sentar no seu lugar, na cabeceira da mesa, e nós insistíamos para que continuasse a desfrutá-lo.
Meu primeiro filho, seu primeiro neto! Quanto amor você demonstrou! Você ficava com uma cara de bobo quando o pegava ao colo! Você o embalou tão carinhosamente. Mais de vinte anos se passaram e eu não esqueço a sua expressão ao olhá-lo.
Eu não me despeço nesta carta, porque você vive comigo, nas lembranças. Parece estar ao meu lado, agora mais que nunca.
Meu querido, um dia nos reencontraremos?
sonia delsin

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