terça-feira, 27 de agosto de 2013



AO MEU PAI

Pai, no mundo espiritual onde você habita agora o tempo já não conta mais, ou conta?
Já se passaram dois anos, e custa-me crer que estamos tanto tempo sem você!
O mundo parece que ficou mais vazio sem sua presença contagiante.
Sabe, pai, eu sempre soube que era tão importante para você!
Seus olhinhos brilhavam tanto quando eu chegava e eu via neles tanta tristeza quando eu me despedia, nos últimos anos.
Às vezes penso que estou sendo mal agradecida a Deus, pois tenho tantas pessoas amadas ao meu redor, mas falta você...
Pai, os seus últimos dias de vida foram tão duros. Estivemos tão interligados naqueles dias.
A sua hora derradeira pegou-se desprevenidos. Estávamos só os dois e eu custei a acreditar que você estava indo para sempre.
De mãos dadas estávamos e eu lhe doaria anos de minha vida, sem hesitar um só instante.
Seus olhos fitavam os meus e eu via medo nos seus.
Eu lhe falava, mas eram palavras soltas no vento. Você já não me ouvia.
Divisava ao longe alguma coisa que me escapava.
Pai, eu vi você ir-se e doeu. A ferida ainda dói.
Tento apagar da memória essas lembranças dolorosas, mas nem sempre consigo.
Elas voltam. Voltaram agora, neste momento em que escrevo.
Pai, eu fui a filha que mais lhe trouxe preocupações. A que mais mexeu com seu coração.
Fomos tão sincronizadas um ao outro. Era tão bom! Você parecia ler nos meus olhos as mensagens todas e eu sentia que você compreendia a minha alma.
Eu sabia que a minha fragilidade mexia com você, e às vezes queria lhe mostrar uma força que nós dois sabíamos que eu não tinha.
Ó meu querido, estou continuando a minha luta aqui! Você continua a sua aí?
Como eu gostaria de saber como foi para você chegar do outro lado. Eu também o achava frágil e queria protegê-lo.
Até qualquer dia, meu querido.
Vamos fazer de conta que a morte não existe. E existirá de fato?

sonia delsin 

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