sexta-feira, 23 de agosto de 2013



NÃO SE PODE JULGAR

Não podemos julgar ninguém porque desconhecemos o que se passa no coração de cada um. O que vai lá no fundo. O que se guarda. A bagagem que se acumula do viver.
Penso que sempre há o que aprender. Nunca alcançaremos todo o saber.
A cada momento estamos aprendendo alguma coisa. Esta dor que ando sentindo me diz que estou crescendo. É uma dor que têm me machucado, magoado tanto. Mas sinto que estou através dela subindo mais um degrau na escala da evolução espiritual.
Li certa vez um livro que se chamava Ascese Mística. Lindo livro e enquanto o lia fui entendendo que caminhamos um longo caminho sim aqui na terra, mas é um caminho interno. Um caminho para nos alcançarmos, e à medida que vamos nos descobrindo encontramos um ser que é maior do que nós; que se aloja nas profundezas de nossa alma.
Só o encontramos em nosso interior e nunca fora dele.
Batemos os olhos num indivíduo e achamos que podemos julgá-lo tantas vezes pelas vestes maltrapilhas, mas o que ele guarda dos caminhos por onde andou?
Conheci em minha meninice um homem que se vestia com um mendigo. Andava com os pés descalços, trazia os cabelos desgrenhados.
Ele assustava à primeira vista. Mas a voz. Deus! A voz daquele homem era puro mel!
Ele surge diante de meus olhos quando vejo alguém a julgar os outros pelas aparências. Ele foi o meu símbolo de verdade, de sublimação. Quanta dignidade num homem que carregava o fardo de tantos dissabores!
Tantas circunstâncias adversas constroem um homem! É preciso que ele passe por muita coisa e que se aprimore.
Por que vamos julgar alguém que não teve na vida as mesmas oportunidades que tivemos, a mesma coragem que nos move, a mesma fé incondicional que conquistamos a custa de muitas provações?
Não, não podemos julgar porque existe a verdade de cada um. Cada ser é único e guarda consigo o seu mundo conquistado a duras penas.

Na mesma medida que julgarmos, seremos julgados.

sonia delsin 

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