sexta-feira, 23 de agosto de 2013



LIDANDO COM AS PERDAS

É sempre difícil lidarmos com as perdas, seja de entes queridos, seja de coisas materiais, um emprego, uma oportunidade, até de um sonho. Perder um amor dói tanto. Uma amizade então! Desejamos sempre que nossos amigos estejam eternamente ao nosso lado, compartilhando nossas alegrias, nossas dores.
Mas precisamos aprender a lidar com as perdas para podermos continuar nossa caminhada.
Uma das perdas que mais me marcou foi a morte de meu pai. Mesmo acreditando na vida eterna e acreditando firmemente que ele ainda vive numa outra dimensão, foi doloroso demais vê-lo partindo. Eu assisti sua morte e naquele instante perdi um pedaço de mim que nunca mais irá se recuperar. Eu penso nele com carinho, desejo que sua alma encontre muita luz e adoro a sensação de tê-lo ao meu lado tantas vezes, mas sinto tanto a sua falta.
Eu sei que nunca mais alguém irá me olhar como ele me olhava, nunca mais ninguém chegará tão pertinho do meu coração e saberá o que está se passando comigo. O que existia entre nós era uma coisa só nossa.
Recebo carinho de tantas outras pessoas, mas ninguém é como ele era comigo. Só que tenho que aceitar o que não pode ser mudado. Logo após a sua morte fiquei doente e levei um tempo enorme para aceitar que ele já tinha cumprido sua missão aqui. Deus é tão bom que, para que eu conseguisse superar a minha dor, Ele arranjou um jeitinho. Trouxemos minha mãe para passar uns tempos conosco, para que ela conseguisse aos poucos superar o sofrimento intenso que estava passando. Eu, que estava sofrendo tanto, precisei ser forte o suficiente para consolá-la, para entregar todo meu amor, para que desse modo ela sentisse que viver ainda valia à pena. Ela acabou sofrendo um infarto e ficou bastante tempo conosco.
O tempo é o melhor dos remédios, aos poucos fui aceitando a morte de meu velho. Hoje em dia eu consigo lidar melhor com isso.
Quando pequena perder um animalzinho me fazia chorar dias e dias. Meu pai precisou até deixar de criar porcos em nossa chácara porque eu não aceitava que de vez em quando precisasse sacrificar um deles. Os frangos, eu nem chegava perto quando minha mãe dizia que iria matar um para comermos.
Acho que até perder o que nem chegamos a possuir é doloroso.
Eu sonhei por anos e anos com uma boneca especial que me prometeram. Eu a esperava ano após ano. Um dia descobri frustrada que nunca iria se realizar meu desejo. A pessoa que havia me prometido desconhece até hoje o que sofri e nem imagina o quanto me machucou.
Existem perdas que nos marcam para sempre. Eu tive um anel que meu pai me ofereceu numa data muito especial. Aquele anel representava muito para mim e num momento muito difícil de minha vida precisei vendê-lo. Eu olhava meu dedo vazio e aquilo me machucava. Eu o via ali na imaginação. Tateava meu dedo e não o encontrava. Eu o vendera por uma causa mais do que justa, mas nem por isso conseguia me convencer que agira corretamente. Era como que perdendo aquele anel eu tivesse perdido uma parte de mim.
Vão-se os anéis, ficam os dedos. Mas olhar um dedo onde morava um anel especial e não vê-lo mais ali não é fácil. Não pelo valor material, que isso é só uma coisa supérflua, transitória. Mas pelo valor afetivo, porque aquele anel era um pouco do amor que ele tinha por mim. Eu o olhava e via seus olhinhos brilhantes quando me entregara, tão satisfeito em me ver feliz.
Quando tinha cerca de doze anos precisamos vender o pedaço de terra em que morávamos e esta perda foi dura demais.
Nós nos mudamos para uma casa muito mais confortável do que a que morávamos até então, mas a liberdade que antes tínhamos havia se acabado. Quando eu acordava não ouvia mais os sons do campo, não avistava mais as pereiras enormes, as jabuticabeiras, o rancho, não ouvia o barulhinho do moinho, da água que cantava no riacho e nem o roçar dos bambus que produziam um som tão gostoso de se ouvir.
As perdas existem, sempre existem. São degraus que devemos calcar. Através delas aprendemos tanto.
Quando se perde um emprego o gosto amargo que fica é difícil de superar. Até que se arranje outro.
A vida é assim mesmo, um dia perdemos, no outro ganhamos.
No início de minha adolescência eu praticava atletismo, até que uma doença afastou-me dos esportes. Foi uma perda difícil de superar também. E por aí vai...
Mas o que temos a fazer é superar, dar a volta por cima. Vamos mudando o que está ao nosso alcance mudar. Aceitando o que não pode ser mudado. Vamos aprendendo a lidar com as perdas e vibrando com nossas vitórias que o caminho pode ser longo, espinhoso, mas se o olharmos bem enxergaremos as flores plantadas ao redor. Sempre vale à pena viver...

sonia delsin 

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