sábado, 24 de agosto de 2013



REFLEXÕES

Já não minto para mim mesma, nem justifico os meus senões. Perdi pelos caminhos um pouco da doçura, da meiguice da menina criada no mato.
Perdi um pouco da credulidade no ser humano, no mundo.
Questionei minhas crenças, minhas procuras e minha fé genuína.
Tropecei em mentiras, em dissimulações e desculpas frouxas.
Vi a mim mesma sentada num ponto tão alto. Observando estrelas? Não, observando o meu Eu, mergulhando fundo no meu íntimo.
Naquela parte de mim que é tão minha. Os lugares secretos de meu ser que só eu conheço.
É como olhar num espelho e assumir cada marca de expressão, cada ruga mais funda, valorizando as razões delas estarem ali.
O vento e o frio, as tempestades de verão, o sol escaldante. Tudo faz parte da observação profunda.
Debaixo das estrelas ou acima delas, que importa?
Meu corpo frágil sabe transportar-se até a mais distante. Mas para quê?
Para que, se aqui é necessário que eu cumpra um tempo, um papel?
As coisas não são bem como parecem. Mas que importa?
Preciso dar o melhor de mim, devo dar. Foi para isso que vim, para aprimorar minha alma.
Não consigo viver só fisicamente, materialmente. Aprofundo-me nas raízes mais fundas de meu ser e tenho a convicção de que algo muito maior move o mundo. Eu mesma não sou só essa mulher que se apresenta aqui.
Meu corpo não se restringe só a esse pequeno corpo que envelhece aos poucos. Sinto que posso alcançar espaços não permitidos.

Desencontro-me pelos meus caminhos procurando absorver sabedoria. Onde encontrá-la, onde?

sonia delsin 

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