REFLEXÕES
Já não minto para mim mesma, nem
justifico os meus senões. Perdi pelos caminhos um pouco da doçura, da meiguice
da menina criada no mato.
Perdi um pouco da credulidade no ser
humano, no mundo.
Questionei minhas crenças, minhas
procuras e minha fé genuína.
Tropecei em mentiras, em dissimulações e
desculpas frouxas.
Vi a mim mesma sentada num ponto tão
alto. Observando estrelas? Não, observando o meu Eu, mergulhando fundo no meu
íntimo.
Naquela parte de mim que é tão minha. Os
lugares secretos de meu ser que só eu conheço.
É como olhar num espelho e assumir cada
marca de expressão, cada ruga mais funda, valorizando as razões delas estarem
ali.
O vento e o frio, as tempestades de
verão, o sol escaldante. Tudo faz parte da observação profunda.
Debaixo das estrelas ou acima delas, que
importa?
Meu corpo frágil sabe transportar-se até
a mais distante. Mas para quê?
Para que, se aqui é necessário que eu
cumpra um tempo, um papel?
As coisas não são bem como parecem. Mas
que importa?
Preciso dar o melhor de mim, devo dar.
Foi para isso que vim, para aprimorar minha alma.
Não consigo viver só fisicamente,
materialmente. Aprofundo-me nas raízes mais fundas de meu ser e tenho a
convicção de que algo muito maior move o mundo. Eu mesma não sou só essa mulher
que se apresenta aqui.
Meu corpo não se restringe só a esse
pequeno corpo que envelhece aos poucos. Sinto que posso alcançar espaços não
permitidos.
Desencontro-me pelos meus caminhos
procurando absorver sabedoria. Onde encontrá-la, onde?
sonia delsin

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