UMA GRATA LEMBRANÇA
Assistindo ontem a um programa de entrevista na TV
Cultura com o psicanalista Dr. Luís Alberto Pi recordei algo do passado que me
emocionou demais.
Ele contou ao repórter que é pai de dois filhos bem pequenos (um de dois anos). Disse ter sessenta anos e um filho de trinta.
Comentou que o bom de ser pai nesta idade é que dá para curtir mais o filho. Que, se a criança deseja adormecer em seu colo, ele tem todo o tempo do mundo para isso.
Adorei toda a reportagem por vários motivos. Existe uma suavidade em sua voz e uma tranquilidade, que eu adoro encontrar nas pessoas.
Bem, quando ele falou sobre o neném desejar um colo demorado, recordei os primeiros anos de vida de meu filho mais velho.
Por força das circunstâncias naquele tempo meu marido trabalhava em outra cidade, e mesmo nos seus dias de folga tinha uma outra jornada de trabalho. Por esta razão ficávamos muito tempo só meu filho e eu.
Eu me deitava em minha cama e o colocava ao meu lado. Passávamos bastante tempo assim. Simplesmente nos olhando.
Muitas vezes eu o segurava no colo e ficava conversando com ele. Contava histórias lindas, outras vezes cantava baixinho. Ou simplesmente o acariciava docemente.
Gostava de ficar mergulhada em seus grandes olhos e buscava uma razão para um amor tamanho.
Gostava também que levá-lo passear. Íamos às praças, aos bosques.
Éramos nós dois, e o mundo. Era delicioso.
Quando ele adoeceu quanto medo eu tive de perdê-lo! Eu vi o mundo desmoronar aos meus pés tantas vezes. Passei por momentos, por dias, por anos de sofrimento intenso.
Mas tudo passou, Deus permitiu que ele ficasse aqui conosco. Que juntos superássemos tantos obstáculos.
A nossa relação foi algo lindo porque eu tinha todo o tempo do mundo para ele.
Ele precisava de uma mãe com tempo integral e eu precisava de um filho que preenchesse a minha vida.
Éramos companheiros inseparáveis e eu soube desde o instante em que veio ao mundo que nós dois tínhamos a missão de um completar o outro.
Com o segundo filho as coisas foram diferentes. O amor materno é algo inexplicável.
Depois de quase sete anos, quando ele nasceu, eu já havia passado por tanta coisa e ser mãe novamente foi uma experiência gratificante. Eu o amamentei por dois anos e o curti intensamente. Mas foi diferente.
O tempo era diferente. Quando dei por mim ele já se sentava, engatinhava, andava, corria. Freqüentava o pré-primário.
Eu me dividia neste tempo com obrigações, com compromissos e ele cresceu assim.
Também o embalei, também me deitei ao seu lado até que adormecesse e rolei na grama, e lhe fiz cócegas e o cobri de beijos.
Mas a vida se apresentava de outra forma. A vida me cobrava coisas. Muitas vezes desejava ter um tempo maior só para ele e não tinha.
Depois fui entendendo que cada criança precisa de um mundo. O meu filho mais velho precisava de tudo que eu tive para lhe oferecer e meu filho mais jovem nasceu também para encontrar em mim o que eu tinha a entregar. As coisas tinham que ser desta forma.
Porque cada ser é único e cada um tem sua própria necessidade.
O meu caçula sempre foi independente, foi precoce em tudo e olhando-o eu vejo que ele precisava de uma mãe exatamente como eu tenho sido para ele. Ele me alcança e eu o alcanço.
Quando rolávamos no gramado de nossa casa naquele tempo, eu sabia que aquele bebê não precisava de muita coisa. Já havia nascido pronto. Havia chegado para o meu mundo para me dizer que nunca devemos perder as esperanças. Que a nossa relação sempre seria de muita paz, muita tranqüilidade. Um amor suave, um amor complemento, um amor que veio justificar os meus porquês. Nos seus olhos existe um mundo que eu sempre soube que iria existir para mim. Ele veio me trazer serenidade e realização. Ele veio para me tirar todo o medo, toda a incerteza.
O Dr. Pi me recordou a infância de meus filhos. A minha relação com eles. É bom recordar estas coisas todas. Eu os vejo hoje homens feitos e sei que pertencem ao mundo. Que eu só tive a missão de orientá-los, dar todo meu amor e meu carinho.
Como é bom saber que aqueles anos nos pertencem para todo o sempre. Que sempre vou ser a mãe deles, independente do caminho que seguirão.
Na verdade guardo dentro de mim aqueles bebês que choraram, aqueles garotos de olhos brilhantes que me perguntavam as coisas, que faziam mil pedidos. Que se dependuravam em mim.
Hoje sou eu que me dependuro neles e quando eles falam comigo, lá do alto (porque são tão mais altos que eu, meus dois gigantes), eu penso no quanto Deus foi bom para mim.
Ele contou ao repórter que é pai de dois filhos bem pequenos (um de dois anos). Disse ter sessenta anos e um filho de trinta.
Comentou que o bom de ser pai nesta idade é que dá para curtir mais o filho. Que, se a criança deseja adormecer em seu colo, ele tem todo o tempo do mundo para isso.
Adorei toda a reportagem por vários motivos. Existe uma suavidade em sua voz e uma tranquilidade, que eu adoro encontrar nas pessoas.
Bem, quando ele falou sobre o neném desejar um colo demorado, recordei os primeiros anos de vida de meu filho mais velho.
Por força das circunstâncias naquele tempo meu marido trabalhava em outra cidade, e mesmo nos seus dias de folga tinha uma outra jornada de trabalho. Por esta razão ficávamos muito tempo só meu filho e eu.
Eu me deitava em minha cama e o colocava ao meu lado. Passávamos bastante tempo assim. Simplesmente nos olhando.
Muitas vezes eu o segurava no colo e ficava conversando com ele. Contava histórias lindas, outras vezes cantava baixinho. Ou simplesmente o acariciava docemente.
Gostava de ficar mergulhada em seus grandes olhos e buscava uma razão para um amor tamanho.
Gostava também que levá-lo passear. Íamos às praças, aos bosques.
Éramos nós dois, e o mundo. Era delicioso.
Quando ele adoeceu quanto medo eu tive de perdê-lo! Eu vi o mundo desmoronar aos meus pés tantas vezes. Passei por momentos, por dias, por anos de sofrimento intenso.
Mas tudo passou, Deus permitiu que ele ficasse aqui conosco. Que juntos superássemos tantos obstáculos.
A nossa relação foi algo lindo porque eu tinha todo o tempo do mundo para ele.
Ele precisava de uma mãe com tempo integral e eu precisava de um filho que preenchesse a minha vida.
Éramos companheiros inseparáveis e eu soube desde o instante em que veio ao mundo que nós dois tínhamos a missão de um completar o outro.
Com o segundo filho as coisas foram diferentes. O amor materno é algo inexplicável.
Depois de quase sete anos, quando ele nasceu, eu já havia passado por tanta coisa e ser mãe novamente foi uma experiência gratificante. Eu o amamentei por dois anos e o curti intensamente. Mas foi diferente.
O tempo era diferente. Quando dei por mim ele já se sentava, engatinhava, andava, corria. Freqüentava o pré-primário.
Eu me dividia neste tempo com obrigações, com compromissos e ele cresceu assim.
Também o embalei, também me deitei ao seu lado até que adormecesse e rolei na grama, e lhe fiz cócegas e o cobri de beijos.
Mas a vida se apresentava de outra forma. A vida me cobrava coisas. Muitas vezes desejava ter um tempo maior só para ele e não tinha.
Depois fui entendendo que cada criança precisa de um mundo. O meu filho mais velho precisava de tudo que eu tive para lhe oferecer e meu filho mais jovem nasceu também para encontrar em mim o que eu tinha a entregar. As coisas tinham que ser desta forma.
Porque cada ser é único e cada um tem sua própria necessidade.
O meu caçula sempre foi independente, foi precoce em tudo e olhando-o eu vejo que ele precisava de uma mãe exatamente como eu tenho sido para ele. Ele me alcança e eu o alcanço.
Quando rolávamos no gramado de nossa casa naquele tempo, eu sabia que aquele bebê não precisava de muita coisa. Já havia nascido pronto. Havia chegado para o meu mundo para me dizer que nunca devemos perder as esperanças. Que a nossa relação sempre seria de muita paz, muita tranqüilidade. Um amor suave, um amor complemento, um amor que veio justificar os meus porquês. Nos seus olhos existe um mundo que eu sempre soube que iria existir para mim. Ele veio me trazer serenidade e realização. Ele veio para me tirar todo o medo, toda a incerteza.
O Dr. Pi me recordou a infância de meus filhos. A minha relação com eles. É bom recordar estas coisas todas. Eu os vejo hoje homens feitos e sei que pertencem ao mundo. Que eu só tive a missão de orientá-los, dar todo meu amor e meu carinho.
Como é bom saber que aqueles anos nos pertencem para todo o sempre. Que sempre vou ser a mãe deles, independente do caminho que seguirão.
Na verdade guardo dentro de mim aqueles bebês que choraram, aqueles garotos de olhos brilhantes que me perguntavam as coisas, que faziam mil pedidos. Que se dependuravam em mim.
Hoje sou eu que me dependuro neles e quando eles falam comigo, lá do alto (porque são tão mais altos que eu, meus dois gigantes), eu penso no quanto Deus foi bom para mim.
sonia delsin

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